Análises · Pará
O município com menor uso de PIX do Brasil fica no Pará, e tem 14%
Levantamento com dados do Banco Central mostra 5,6 milhões de paraenses usando o PIX em agosto. No mesmo estado convivem o menor índice do país e um dos cinco municípios que passam de 100%.
Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.
Em agosto de 2026, 5.616.042 paraenses fizeram ao menos um PIX — 69,2% dos 8,1 milhões de moradores do estado, o 17º índice do país.
Dentro do Pará, porém, a variação é a maior do Brasil. De um lado, Mojuí dos Campos, com 14,1% — o menor índice entre os 5.570 municípios com população conhecida no levantamento. De outro, Mocajuba, com 106,6%, um dos cinco municípios do país onde o número de usuários supera o de moradores. São 92 pontos percentuais entre as duas pontas.
Adoção do PIX por município
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- Fizeram ao menos um PIX
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- Receberam ao menos um PIX
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- População (Censo 2022)
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Ver os números em tabela
| Mês | Fizeram PIX | % da população | Receberam PIX | % da população |
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Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.
O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. O Pará tem 144 municípios, todos disponíveis no relatório acima.
Mojuí dos Campos, o menor índice do país
Em agosto, 3.305 pessoas fizeram um PIX em Mojuí dos Campos, município de 23.501 habitantes. É 14,1% — menos da metade do segundo colocado nessa lista.
O número vem subindo, mas de muito baixo: era 3,8% no fim de 2021, 7,5% em 2023, 12,1% em 2025 e 14,1% agora. Enquanto isso, Santarém, município vizinho, saiu de 36,3% para 80,5% no mesmo período.
Mojuí dos Campos foi desmembrado justamente de Santarém, e só foi instalado como município em 1º de janeiro de 2013. Uma explicação possível para o contraste é que boa parte dos moradores siga com cadastro bancário em Santarém — o endereço do banco não muda sozinho quando a fronteira do município muda. Nesse caso, parte de quem vive em Mojuí estaria sendo contada como usuário de Santarém.
É hipótese, não dado. A outra explicação possível é mais direta: Mojuí dos Campos é um município rural e pobre, e o PIX pode simplesmente ter chegado menos. Os dados abertos do Banco Central não permitem separar as duas coisas.
Mocajuba, do outro lado da conta
No topo do estado aparece Mocajuba, com 28.980 usuários para 27.198 moradores — 106,6%.
É o quinto e último dos municípios brasileiros acima de 100%, ao lado de Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, de Águas de São Pedro, em São Paulo, e de Armação dos Búzios, no Rio. Em todos, o mecanismo é o mesmo: o município é o do cadastro bancário, não o da moradia, e a população de referência é a do Censo 2022.
Belém, mês a mês
A capital tinha 89.408 pessoas usando o PIX em novembro de 2020. Em dezembro eram 242.497, e em junho de 2021 já passavam de 563 mil.
Cruzou 1 milhão em 2024 e chegou a 1.110.193 agora, com 85,2% da população — a nona capital do país.
Entre os extremos
Depois de Belém, os maiores índices do estado são Soure (82,5%), na Ilha do Marajó, Tucuruí (82,3%), Redenção (81,5%) e Jacundá (81,1%).
Na outra ponta, além de Mojuí dos Campos, ficam Cumaru do Norte (30,5%), Jacareacanga (33,1%), Bagre (37%) e Água Azul do Norte (40,4%).
Quem ainda está de fora
Os percentuais usam a população inteira, inclusive crianças, que entram como moradores e não como usuários. Entre os adultos paraenses, o PIX está mais presente do que os 69,2% indicam.