Análises · Mato Grosso
No Mato Grosso, os polos do agronegócio estão na metade de baixo do PIX
Levantamento com dados do Banco Central mostra 2,6 milhões de mato-grossenses usando o PIX em agosto. Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop ficam atrás de dezenas de cidades bem menores.
Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.
Em agosto de 2026, 2.572.152 mato-grossenses fizeram ao menos um PIX — 70,3% dos 3,66 milhões de moradores do estado, o 14º índice do país. Cuiabá lidera, com 82,2%.
O que surpreende está no meio da tabela. Lucas do Rio Verde, um dos maiores polos de grãos do país, tem 63,7% e aparece em 87º lugar entre os 141 municípios mato-grossenses. Sorriso é a 60ª (67,4%) e Sinop, a 52ª (68,2%). As três estão abaixo da média do estado.
Adoção do PIX por município
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- Fizeram ao menos um PIX
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- Receberam ao menos um PIX
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- População (Censo 2022)
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Ver os números em tabela
| Mês | Fizeram PIX | % da população | Receberam PIX | % da população |
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Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.
Riqueza agrícola não virou adoção
À frente delas estão municípios bem menores: Jauru, com 8.367 habitantes, tem 78,7% e é a segunda do estado. Nobres (77,9%), São José do Rio Claro (77,9%), Barra do Bugres (77,3%) e Cláudia (76,6%) completam o topo.
O padrão lembra o de Santa Catarina, onde Chapecó, principal cidade do oeste agroindustrial, aparece em 46º lugar. Nos dois estados, os centros de maior produção agrícola não lideram a adoção do PIX.
Os dados abertos do Banco Central mostram quantas pessoas usaram o PIX, não por quê. Uma leitura possível é que a riqueza desses municípios se concentre na atividade produtiva e não na população residente, que inclui muitos trabalhadores temporários. Mas isso é hipótese: o número sozinho não permite afirmar.
O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. O Mato Grosso tem 141 municípios com população apurada no Censo 2022, todos disponíveis no relatório acima.
Um município novo demais para a conta
O Mato Grosso abriga o município mais recente a entrar nos dados do PIX: Boa Esperança do Norte, que só passou a aparecer na base do Banco Central em outubro de 2025 e tem 12 meses de histórico.
Como não há população apurada para ele no Censo 2022, o município não entra no cálculo percentual deste levantamento — aparece nos dados de transações, mas não no ranking de adoção.
É um dos três casos de série incompleta no país. Os outros dois estão no Rio Grande do Norte.
Cuiabá, mês a mês
A capital tinha 54.332 pessoas usando o PIX em novembro de 2020. Em dezembro eram 143.166, e em junho de 2021 já passavam de 289 mil.
Depois: 407.755 no fim de 2022, 452.359 em 2023, 487.984 em 2024, 514.803 em 2025 e 535.205 agora.
Várzea Grande, cidade vizinha e segunda maior do estado, tem 70,4% e é a 36ª — bem atrás da capital, no mesmo padrão já visto em Fortaleza e João Pessoa.
O fim da lista
Os menores índices do estado são Nova Nazaré (32,7%), General Carneiro (39,6%), Poxoréu (39,8%), Campinápolis (40,5%) e Itanhangá (40,5%).
Quem ainda está de fora
Os percentuais usam a população inteira, inclusive crianças, que entram como moradores e não como usuários. Entre os adultos mato-grossenses, o PIX está mais presente do que os 70,3% indicam.