Análises · Rio Grande do Norte

Uma cidade de 2.306 habitantes usa mais PIX que Natal — e que Salvador

Levantamento com dados do Banco Central mostra 2,4 milhões de potiguares usando o PIX em agosto. Bodó, no Seridó, tem 88,6% — índice maior que o de qualquer capital brasileira.

Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.

Em agosto de 2026, 2.356.096 potiguares fizeram ao menos um PIX — 71,3% dos 3,3 milhões de moradores do estado, o 11º índice do país.

O maior índice não é o da capital. Bodó, município de 2.306 habitantes no Seridó, tem 88,6% da população usando o PIX — mais que Natal (84,9%) e mais que Salvador (87,7%), a capital com maior adoção do Brasil. Em 2.306 moradores, 2.044 fizeram uma transferência no mês.

Adoção do PIX por município

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Fizeram ao menos um PIX
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Receberam ao menos um PIX
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População (Censo 2022)
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Pessoas que fizeram e que receberam PIX no mês, em % da população
Ver os números em tabela
MêsFizeram PIX% da populaçãoReceberam PIX% da população

Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.

O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. O Rio Grande do Norte tem 167 municípios, todos disponíveis no relatório acima.

Cidades pequenas no topo

Bodó não é exceção isolada. Galinhos, com 2.104 habitantes, tem 85,9%, também à frente da capital. Depois vêm Parazinho (83,9%), Alto do Rodrigues (82,2%) e São Bento do Norte (80,2%) — nenhum deles com mais de 13 mil moradores.

A trajetória de Bodó ajuda a entender: o município tinha 29,1% da população no PIX no fim de 2021, chegou a 61,8% em 2023, 81,1% em 2025 e 88,6% agora. Triplicou em cinco anos.

Dois municípios que faltavam na base

Uma observação importante para ler a lista dos menores índices do estado. Januário Cicco (19,7%) e Campo Grande (33,8%) só passaram a aparecer nos dados do Banco Central em abril de 2025. Antes disso, não há registro nenhum para esses dois municípios.

A base do PIX por município trazia 5.568 municípios até 2024 e passou a trazer 5.571 a partir do fim de 2025. São apenas três municípios em todo o país com série incompleta — dois deles potiguares, e o terceiro é Boa Esperança do Norte, em Mato Grosso, criado recentemente.

Isso significa que os números desses dois municípios ainda estão se formando na base e não devem ser lidos como adoção baixa. É falta de histórico, não falta de PIX.

Extremoz, o caso que não é artefato

Diferente dos dois anteriores, Extremoz tem série completa desde novembro de 2020 — e mesmo assim aparece entre os últimos do estado, com 52,5%.

O município fica na região metropolitana de Natal e tem 61.635 habitantes. Em outros estados, as cidades do entorno da capital estão entre as mais altas: Lauro de Freitas lidera a Bahia, Queimados supera a capital no Rio. Em Extremoz, o índice sobe devagar — era 21,2% em 2021, 35% em 2023, 47,9% em 2025 — e segue abaixo da média estadual.

Natal, mês a mês

A capital tinha 55.660 pessoas usando o PIX em novembro de 2020. Em dezembro eram 148.571, e em junho de 2021 já passavam de 342 mil.

Depois: 514.318 no fim de 2022, 573.652 em 2023, 610.996 em 2024, 629.567 em 2025 e 638.180 agora.

Quem ainda está de fora

Os percentuais usam a população inteira, inclusive crianças, que entram como moradores e não como usuários. Entre os adultos potiguares, o PIX está mais presente do que os 71,3% indicam.