Análises · Santa Catarina

Em Santa Catarina, o PIX é mais forte no litoral do que nas cidades industriais

Levantamento com dados do Banco Central mostra 5,4 milhões de catarinenses usando o PIX em agosto. As seis maiores taxas do estado estão na faixa litorânea; Chapecó, polo do agronegócio, aparece em 46º.

Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.

Em agosto de 2026, 5.379.968 catarinenses fizeram ao menos um PIX — 70,7% dos 7,6 milhões de moradores, o 13º índice do país e abaixo da média nacional, de 72,4%.

Dentro do estado, a distribuição segue a geografia antes de seguir a economia. As seis maiores taxas estão todas na faixa litorânea: Florianópolis (84,3%), Itapema (84,1%), Balneário Camboriú (82,9%), Balneário Piçarras (82,2%), São José (79,9%) e Navegantes (79,8%).

Adoção do PIX por município

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Fizeram ao menos um PIX
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Receberam ao menos um PIX
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População (Censo 2022)
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Pessoas que fizeram e que receberam PIX no mês, em % da população
Ver os números em tabela
MêsFizeram PIX% da populaçãoReceberam PIX% da população

Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.

O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. Santa Catarina tem 295 municípios, todos disponíveis no relatório acima.

As cidades industriais vêm depois

Os polos econômicos do estado aparecem fora do topo. Blumenau é a 7ª (78%), Itajaí a 9ª (76,9%), Joinville — maior cidade catarinense — a 10ª (76,6%), Criciúma a 12ª (75,4%) e Jaraguá do Sul a 15ª (74,6%).

Mais atrás vêm Lages, em 22º (72,2%), e Chapecó em 46º, com 68,9% — a principal cidade do oeste catarinense está abaixo da média do próprio estado.

Não é que a renda não importe: Balneário Camboriú e Itapema, no topo da lista, estão entre os municípios mais ricos do estado. Mas a correlação com o litoral é mais forte do que a correlação com a indústria.

Uma ressalva sobre as cidades de veraneio

Vale uma cautela de método. Itapema, Balneário Camboriú e Balneário Piçarras são cidades de segunda residência, com forte presença de moradores sazonais.

Como o Banco Central atribui cada pessoa ao município do seu cadastro bancário, parte de quem aparece nessas cidades pode viver em outro lugar — o mesmo efeito que, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, leva o índice a passar de 100%. Em Santa Catarina nenhum município chega a esse ponto, mas a leitura das cidades litorâneas pede essa ressalva.

Florianópolis, mês a mês

A capital tinha 44.509 pessoas usando o PIX em novembro de 2020. Em dezembro eram 114.709, e em junho de 2021 já passavam de 239 mil.

Depois seguiu em ritmo firme: 328.366 no fim de 2022, 369.399 em 2023, 406.806 em 2024, 435.538 em 2025 e 453.088 agora.

O oeste e a serra no fim da lista

Os menores índices do estado são Pescaria Brava (37,9%), Tigrinhos (44,6%), Cunhataí (44,7%), Capão Alto (45,1%) e Bela Vista do Toldo (45,5%).

Com exceção de Pescaria Brava, no litoral sul, são municípios do oeste e do planalto serrano, com poucos milhares de habitantes cada.

O Sul inteiro abaixo da média

Com Santa Catarina, a série fecha os três estados do Sul, e os três estão abaixo da média nacional: Paraná (71,5%), Santa Catarina (70,7%) e Rio Grande do Sul (69,9%).

Somando os municípios por região, o Sul tem 70,7% e aparece em quarto lugar entre as cinco regiões, atrás do Norte (72,1%).

Quem ainda está de fora

Os percentuais usam a população inteira, inclusive crianças, que entram como moradores e não como usuários. Entre os adultos catarinenses, o PIX está mais presente do que os 70,7% indicam.