Análises · Rondônia

Rondônia é o estado onde o PIX não deixou nenhuma cidade para trás

Levantamento com dados do Banco Central mostra 1,2 milhão de rondonienses usando o PIX em agosto. Nenhum dos 52 municípios fica abaixo de 60% — o piso mais alto do país.

Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.

Em agosto de 2026, 1.232.809 rondonienses fizeram ao menos um PIX — 78% dos 1,58 milhão de moradores. É o quinto maior índice do país, à frente do Rio de Janeiro, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

O número que distingue Rondônia, porém, não é o do topo: é o do fundo. O município com menor adoção do estado, Castanheiras, tem 60,4% — e nenhum outro estado brasileiro tem um piso tão alto. Para comparação: o menor índice do Rio Grande do Sul é 31,7%, e o de São Paulo, 28,8%.

Adoção do PIX por município

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Fizeram ao menos um PIX
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Receberam ao menos um PIX
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População (Censo 2022)
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Pessoas que fizeram e que receberam PIX no mês, em % da população
Ver os números em tabela
MêsFizeram PIX% da populaçãoReceberam PIX% da população

Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.

O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. Rondônia tem 52 municípios, todos disponíveis no relatório acima.

O estado mais parelho do Brasil

Entre o maior e o menor índice municipal de Rondônia há 25 pontos percentuais de diferença — de Porto Velho (85,4%) a Castanheiras (60,4%). É a menor amplitude entre todos os estados com mais de um município.

Nos estados grandes, essa distância costuma passar de 50 pontos: em São Paulo são 87, na Bahia 51, em Minas 54. Rondônia é a exceção, e por um motivo que o dado não explica sozinho — mas que vale registrar: é um estado de ocupação recente, com municípios criados em sua maioria nas últimas décadas e uma rede bancária que nasceu junto com a vida urbana ali.

A segunda parte dessa frase é leitura, não medição. O que os dados mostram é a uniformidade; a causa precisa de apuração própria.

O Norte na frente do Sul

Rondônia é um bom exemplo de um padrão que aparece quando se somam os municípios por região: o Norte (72,1%) está à frente do Sul (70,7%) na adoção do PIX, apesar da diferença de renda entre as duas regiões.

O caso gaúcho, analisado em outra reportagem desta série, é o contraponto: o Rio Grande do Sul tem 69,9%, oito pontos abaixo de Rondônia.

Porto Velho, mês a mês

A capital tinha 31.914 pessoas usando o PIX em novembro de 2020. Em dezembro eram 89.312, e em junho de 2021 já passavam de 200 mil.

Depois veio a acomodação: 304.482 no fim de 2022, 341.173 em 2023, 368.292 em 2024, 383.519 em 2025 e 393.103 agora. Com 85,4%, Porto Velho é a oitava capital do país.

As cidades pequenas acompanham

Logo atrás da capital aparecem municípios de porte pequeno: Mirante da Serra (84%), com pouco mais de 9 mil habitantes, Buritis (84%), Cerejeiras (81%) e Jaru (80,5%).

Na outra ponta, mesmo os menores índices ficam acima de 60%: Castanheiras (60,4%), Parecis (61,7%), Alto Alegre dos Parecis (62,1%), Alto Paraíso (63,9%) e Rio Crespo (63,9%).

Quem ainda está de fora

Os percentuais usam a população inteira, inclusive crianças, que entram como moradores e não como usuários. Entre os adultos de Rondônia, o PIX está mais presente do que os 78% indicam.