O PIX para empresa passou o PIX entre pessoas, e já são 54 de cada 100
A virada foi em setembro de 2025. Em setembro de 2026, foram 3,33 bilhões de transações de pessoas para empresas contra 2,83 bilhões entre pessoas — e o ticket médio conta o motivo: R$ 111,10 contra R$ 268,64.
Por Alan Serra. Dados de setembro de 2026.
O PIX nasceu como substituto da transferência bancária e virou, no meio do caminho, a maneira de pagar a padaria. Em setembro de 2025 o número de PIX que uma pessoa manda para uma empresa passou o número de PIX entre pessoas pela primeira vez: 2.651.450.430 contra 2.644.434.325. Foi uma diferença de 0,3% — e não voltou atrás nenhum mês desde então.
Em setembro de 2026 a distância é outra. De cada 100 PIX que saem de uma pessoa, 54 vão para uma empresa e 46 para outra pessoa. Quatro anos antes, em janeiro de 2022, eram 20 para empresa e 80 para pessoa.
O que mudou não foi só o destino: foi o tamanho. O PIX que vai para empresa tem ticket médio de R$ 111,10, menos da metade dos R$ 268,64 do PIX entre pessoas. Em janeiro de 2022 os dois eram quase iguais, perto de R$ 290. O pagamento a empresa encolheu porque deixou de ser a compra grande e passou a ser a do dia — o almoço, a corrida, a feira.
Quem paga quem no PIX
Escolha quem paga e quem recebe, a região e a idade de quem paga. Arraste a barra abaixo do gráfico para mudar o período — o número em destaque soma o intervalo inteiro.
- Fatia do Brasil
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- Brasil, mesmo período
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- No último mês do período
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- Média por mês
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- Do primeiro ao último mês
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Composição por quem paga quem
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Ver os números em tabela
| Mês | Transações | Variação no mês |
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Fonte: Banco Central do Brasil, dados abertos do PIX (transações por perfil do usuário). Elaboração: DATA OPEN BANK.
A região separa mais que a idade
A virada aconteceu em ritmos diferentes pelo país. No Sul, 62,4% do PIX que sai de uma pessoa já vai para empresa; no Centro-Oeste, 57,2%; no Sudeste, 56,5%. No Norte a conta está empatada, em 50,3%. No Nordeste, a transferência entre pessoas ainda lidera, com o pagamento a empresa em 47,5%.
A idade de quem paga, que seria o palpite natural para explicar isso, separa muito menos. Entre 30 e 39 anos a fatia de pagamento a empresa é 55,9%, a maior de todas; acima de 60 anos cai para 46,8%, a menor. São nove pontos de diferença entre a primeira e a última faixa, contra quinze entre a primeira e a última região. Onde a pessoa mora diz mais sobre como ela usa o PIX do que quantos anos ela tem.
Empresa pagando é a conta que mais cresce em valor
Em número de transações, o PIX de empresa para empresa é pequeno: 4,3% do total em setembro de 2026. Em valor é outra história, porque o ticket médio é de R$ 5.430,34 — quase cinquenta vezes o do pagamento de pessoa para empresa. É o PIX que paga fornecedor, folha e aluguel, e é por ele que o valor movimentado na base inteira chega a R$ 102,22 trilhões em 57 meses.
O PIX de empresa para pessoa — salário, reembolso, prêmio — responde por 9,3% das transações, com ticket de R$ 546,06. Troque a medida de "transações" para "valor" no relatório acima e a ordem das barras muda inteira: a composição por quantidade e a composição por valor contam duas histórias diferentes sobre o mesmo mês.
O governo é um detalhe estatístico
As cinco combinações que envolvem governo somam menos de 0,3% das transações. Elas estão no relatório porque existem e porque o total precisa fechar, não porque movam a agulha. A maior delas, pessoa pagando governo, teve 17,3 milhões de transações em setembro de 2026 — contra os 3,33 bilhões de pessoa para empresa.