Análises · PIX

No comércio, sete em cada oito PIX vêm de pessoas — e quatro em cada cinco reais, de empresas

Em setembro de 2026 o comércio brasileiro recebeu 1,10 bilhão de PIX. O consumidor fez 951 milhões deles e moveu R$ 119 bilhões. Outras empresas fizeram 144 milhões e moveram R$ 417 bilhões.

Por Alan Serra. Dados de setembro de 2026.

O PIX que aparece na vida de todo mundo é o da fila do caixa. Mas quando se olha para onde o dinheiro vai, por tipo de negócio, aparece outro país: o que move volume não é o que move valor, e a distância entre os dois é de ordens de grandeza.

O caso extremo são as indústrias extrativas — mineração, petróleo, pedreiras. Fizeram 317 mil transações em setembro, menos que serviços domésticos. E receberam R$ 60,9 bilhões, mais que Educação, Saúde, Alojamento e Agropecuária somados. Cada transação, em média, de R$ 191.828.

No outro extremo, alojamento e alimentação: 196 milhões de transações para mover R$ 30,6 bilhões. Metade do dinheiro das extrativas, com 600 vezes mais transações. São dois PIX diferentes com o mesmo nome.

Quanto cada setor recebeu por PIX

Escolha os setores, o que medir e de quem veio. Arraste a barra abaixo do gráfico para mudar o período — o número em destaque soma o intervalo inteiro. Tudo aqui é o que o setor recebeu.

O que medir

De quem veio

Setor de quem recebe

Transações

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No último mês
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Média por mês
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No período
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De quem veio o que cada setor recebeu

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Ver os números em tabela
MêsTransaçõesVariação no mês

Fonte: Banco Central do Brasil, dados abertos do PIX (transações por atividade econômica de quem recebe). Elaboração: DATA OPEN BANK.

O consumidor faz o movimento, a cadeia faz o dinheiro

Isso vale em todo setor que a gente abriu, sem exceção. No comércio, 951 milhões de transações vieram de pessoas e moveram R$ 119 bilhões; 144 milhões vieram de outras empresas e moveram R$ 417 bilhões. Sete em cada oito transações são do consumidor, e quase quatro em cada cinco reais são da cadeia de fornecedores.

Nas indústrias extrativas a conta é quase só empresa: 88,8% do valor. No setor financeiro, 90,1%. Até em alojamento e alimentação, o mais popular de todos, empresa responde por 65,7% do dinheiro — embora pessoas façam 84% das transações.

Use o filtro De quem veio no relatório acima para separar os dois. A ordem dos setores muda conforme você troca entre pessoa e empresa, e entre transações e valor: são quatro leituras diferentes do mesmo mês.

Alguns degraus não são negócio, são cadastro

Dois setores têm saltos que não correspondem a nada que aconteceu na economia. O financeiro vai de 94 milhões de transações para 551 milhões e volta para 187 milhões em poucos meses. Artes, cultura e esporte tem degraus parecidos. Isso é reclassificação de cadastro: empresas mudando de seção da CNAE, não clientes mudando de comportamento.

O comércio, por comparação, cresce liso — de 398 milhões de transações em janeiro de 2024 para 1,10 bilhão em setembro de 2026, sem degrau nenhum. É o jeito de distinguir os dois: olhe a série inteira antes de acreditar na variação de um mês.