Análises · Minas Gerais

Belo Horizonte usa o PIX como São Paulo. O interior de Minas, não

Levantamento com dados do Banco Central mostra 14,2 milhões de mineiros usando o PIX em agosto. A capital está entre as maiores taxas do país, mas o estado fica abaixo da média nacional.

Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.

Em agosto de 2026, 14.208.895 mineiros fizeram ao menos um PIX — 69,2% dos 20,5 milhões de moradores do estado. Minas é o segundo estado mais populoso do país, mas em adoção do PIX aparece na 18ª posição entre os 27, empatada com o Pará e abaixo da média nacional, de 72,4%.

A explicação não está na capital. Em Belo Horizonte, 1.982.692 pessoas usaram o PIX em agosto: 85,6% da população, praticamente o mesmo índice da cidade de São Paulo (85,5%). As duas capitais são gêmeas nesse quesito. Os estados é que não são: São Paulo tem 78,3%, Minas tem 69,2%. A diferença de nove pontos está inteira no interior.

Adoção do PIX por município

Escolha o estado e o município. Arraste a barra abaixo do gráfico para mudar o período.

Fizeram ao menos um PIX
–
Receberam ao menos um PIX
–
População (Censo 2022)
–
Pessoas que fizeram e que receberam PIX no mês, em % da população
Ver os números em tabela
MêsFizeram PIX% da populaçãoReceberam PIX% da população

Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.

O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE. Minas tem 853 municípios, o maior número do país, e todos podem ser abertos no relatório acima.

A capital, mês a mês

Belo Horizonte começou devagar e acelerou. Em novembro de 2020, primeiro mês do PIX, 192.992 belo-horizontinos fizeram uma transferência. Em dezembro já eram 520.939, e em junho de 2021 o número passava de 1 milhão.

Desde então a curva é de acomodação: 1,57 milhão no fim de 2022, 1,73 milhão em 2023, 1,86 milhão em 2024, 1,94 milhão em 2025 e 1,98 milhão agora. A cidade adicionou 40 mil pessoas em oito meses — crescimento real, mas longe do ritmo dos primeiros anos.

Onde o PIX chegou menos

Em Urucuia, no norte do estado, 5.552 das 17.479 pessoas usaram o PIX em agosto: 31,8%, o menor índice de Minas e um dos menores do país. Depois vêm Senador José Bento (39,4%), Ninheira (42,2%), Guaraciaba (43,2%) e Cipotânea (43,7%).

São todos municípios pequenos, a maioria no norte e no leste — as regiões historicamente mais pobres do estado. Com 853 municípios, muitos deles com poucos milhares de habitantes, o peso dessas cidades na média estadual é grande.

As cidades que puxam para cima

Fora da capital, os maiores índices são de cidades médias e industriais: Governador Valadares (82,8%), Contagem (81,4%), Uberlândia (80,3%) e Ipatinga (79,4%). Todas acima da média do estado, e todas acima da média do país.

Quem ainda está de fora

O cálculo usa a população inteira, inclusive quem não tem idade para abrir conta em banco. Crianças entram na conta como moradores e não como usuários, e parte dos idosos ainda não movimenta dinheiro pelo celular.

Entre os adultos mineiros, portanto, o PIX está mais presente do que os 69,2% indicam — o que não muda a distância entre a capital e o interior, que é o dado central aqui.