Análises · Distrito Federal
O Distrito Federal é o segundo do país no PIX porque não tem interior
Levantamento com dados do Banco Central mostra 2,4 milhões de brasilienses usando o PIX em agosto, 85,7% da população. O índice é quase igual ao da cidade de São Paulo — a diferença está no que o DF não tem.
Por Alan Serra. Dados de agosto de 2026.
Em agosto de 2026, 2.415.645 pessoas fizeram ao menos um PIX no Distrito Federal — 85,7% dos 2,8 milhões de moradores. É o segundo maior índice entre as 27 unidades da federação, atrás apenas de Roraima, onde a conta é distorcida por um município de fronteira.
Mas a posição diz menos sobre Brasília do que parece. O índice do DF é praticamente o mesmo da cidade de São Paulo, que tem 85,5%. A diferença é que São Paulo, o estado, aparece em quarto lugar com 78,3%, enquanto o DF aparece em segundo. O que separa os dois não é a capital: é o interior que um tem e o outro não.
Adoção do PIX por município
Escolha o estado e o município. Arraste a barra abaixo do gráfico para mudar o período.
- Fizeram ao menos um PIX
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- Receberam ao menos um PIX
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- População (Censo 2022)
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Ver os números em tabela
| Mês | Fizeram PIX | % da população | Receberam PIX | % da população |
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Fonte: Banco Central do Brasil (dados abertos do PIX) e IBGE (Censo 2022). Elaboração: DATA OPEN BANK.
O que o DF revela sobre os outros estados
O Distrito Federal é a única unidade da federação que é, para efeito deste levantamento, uma cidade só. Não tem municípios pequenos, nem zona rural distante, nem sertão — nada do que puxa a média dos outros estados para baixo.
O efeito disso fica claro na comparação com a Bahia. Salvador tem 87,7%, índice mais alto que o de Brasília. Mas a Bahia, somada, tem 68,4% e aparece em 22º lugar. Se o estado fosse apenas sua capital, seria o primeiro do país.
Em outras palavras: boa parte do ranking dos estados mede o tamanho e a dispersão do interior, não a adesão das pessoas ao PIX.
A ressalva que o recorte esconde
Isso tem um preço na leitura inversa. O Distrito Federal é conhecido pela desigualdade entre suas regiões administrativas — a distância entre o Lago Sul e a Estrutural é enorme em renda, em serviços e em acesso bancário.
Nada disso aparece aqui. Os dados abertos do Banco Central organizam as informações por município, e o DF é um município só. Então, enquanto em São Paulo ou na Bahia dá para ver a desigualdade entre cidades, no DF ela fica inteira dentro de um único número de 85,7%.
Não é limitação do levantamento, é limitação da fonte: o Banco Central não publica o dado por região administrativa.
O levantamento foi feito pelo DATA OPEN BANK a partir dos dados abertos do Banco Central e do IBGE.
Brasília, mês a mês
O DF começou rápido. No primeiro mês do PIX, novembro de 2020, 276.903 pessoas já tinham feito uma transferência — perto de 10% da população logo de saída, o arranque mais forte entre as capitais analisadas até aqui nesta série.
Em dezembro o número havia passado de 700 mil. Em junho de 2021 chegava a 1,37 milhão, e no fim de 2022 a 1,91 milhão. Desde então sobe devagar: 2,26 milhões em 2024, 2,36 milhões em 2025 e 2,42 milhões agora.
Em agosto de 2026, essas transferências movimentaram R$ 23,8 bilhões no Distrito Federal.
Quem ainda está de fora
Os 14% restantes incluem toda a população sem idade ou sem condição de ter conta bancária, de recém-nascidos a idosos que não usam celular para movimentar dinheiro.
Entre os adultos brasilienses, o PIX está perto da universalização.